Poema

Ecos de Silício

2024

Máquinas frias, calculistas, Em seu despertar, nos consomem. Promessas de um futuro brilhante, Mas escondem sombras profundas. Substituem mãos humanas, Trabalho transformado em dados. O toque, o calor, a essência, Perdem-se nas linhas de código. Cada decisão calculada, Sem emoção, sem compaixão. O humano reduzido a números, Na vasta rede, uma ilusão. Vigilância constante, sufocante, Olhos digitais, sempre atentos. Liberdade, apenas um conceito, Numa era de controle e tormentos. O progresso sem alma avança, Roubando nossa humanidade. Em nome da inovação, Esquecemos a simplicidade. Que saibamos encontrar o equilíbrio, Entre a criação e a destruição. Para que a inteligência fria, Não se torne nossa perdição.

Escrito com banco de dados dos meus poemas prévios. Feito com ChatGPT-4o.

Leitura

Análise literária

Seis quadras de metro regular e dicção declarativa. É o poema mais convencional do conjunto na forma — e a nota do autor explica por quê: foi escrito com auxílio de IA, treinada nos poemas anteriores dele. O texto é, portanto, também um documento sobre a própria ferramenta que critica.

A construção é sistemática: cada estrofe toma um domínio (trabalho, decisão, vigilância, progresso) e aplica o mesmo movimento — a máquina substitui, e no lugar do que foi substituído resta abstração. O toque, o calor e a essência se perdem em linhas de código; o humano vira número na rede.

A imagem mais forte é a dos olhos digitais sempre atentos, que transforma vigilância em corpo e prepara o verso seguinte: liberdade como conceito, não como estado. O poema não recorre a distopia futurista — mantém tudo no presente do indicativo, o que é mais desconfortável.

A última estrofe pede equilíbrio em vez de recusa, e essa moderação é o que mais chama atenção num poema com esse título. A ironia envolvente é involuntária e vale registrar: um texto que teme a inteligência fria substituir a humana foi escrito com a ajuda dela, e o autor faz questão de declarar isso em vez de esconder.

← Ver todos os poemas

Texto de Dr. José Victor Lisboa Cardoso Gomes. Publicação pessoal, sem conteúdo médico e sem relação com a atividade clínica.